Para dar conta do nosso consumo, a Terra teria de ser 70% maior

Foto: Reprodução

Depois de tanto esgotar as reservas do planeta, o mínimo que a humanidade poderia fazer era criar uma data especial para refletir um pouco sobre o estrago. O Earth Overshoot Day determina a dia exato em que já consumimos todos os recursos que a Terra será capaz de repor no ano atual – e passamos a viver das reservas para o seguinte.

Isso acontece todo ano, desde 1969. O problema é que nunca tínhamos entrado no cheque especial tão cedo: a marca deste ano veio hoje, dia 2 de agosto, cinco meses antes de 2017 acabar de vez. Para dar conta desse ritmo e acompanhar a demanda, estima-se que nosso planeta precisaria ser 70% maior do que é atualmente.

“Isso significa que, em sete meses, emitimos mais CO2 que os oceanos e as florestas dão conta de absorver em um ano. Pescamos mais peixes, desmatamos mais árvores e consumimos mais água que a Terra foi capaz de produzir no mesmo período”, explicam a Global Footprint Network e a WWF(World Wildlife Foundation), responsáveis pelos dados.

É fato que esse cenário de sobrar ano e faltar recursos já acontece há algum tempo. A última vez em que o consumo foi exatamente igual à capacidade de renovação da Terra foi há quase 50 anos. A duras penas, conseguimos chegar ao longínquo 31 de dezembro de 1970 com as contas quitadas, sem dever nada para a mãe natureza. Mas, desde então, a data que indica o fim do estoque acontece cada vez mais cedo. Na década de 1980, tal dia chegava em novembro – em 1993, isso mudou para outubro. Com a virada do milênio, o prazo começou a ser setembro, e virou agosto já em 2005.

Para determinar com precisão o dia D, os pesquisadores se guiam pela seguinte relação: Capacidade Biológica do Planeta / Pegada Ecológica da Humanidade x 365. Não é errado dizer, dessa forma, que a conta é afetada diretamente por nossos hábitos consumistas. Gases de efeito estufa que vêm da queima de combustíveis fósseis representam cerca de 60% da pegada ecológica humana. Se essas emissões fossem cortadas pela metade, a data já recuaria 89 dias – quase três meses.

O impacto que causamos nas reservas pode ser também visto espacialmente. Para isso, a Global Footprint Network preparou  uma lista que relaciona o modo de vida em cada país e a quantidade de Terras necessárias para comportá-lo. Quem lidera, claro, são as nações mais industrializadas. Se o mundo inteiro vivesse da mesma maneira que os australianos, por exemplo, precisaríamos de 5,2 Terras. Caso o parâmetro fosse o do segundo colocado do ranking, os Estados Unidos, 5 globos iguais a este seriam o ideal.

Apesar de menor, o número ainda é alto para outros países desenvolvidos (3 Terras para Reino Unido e França, 2,9 para o Japão). Mas o dado que surpreende é a média do Brasil, maior que a do restante do mundo. Se a humanidade toda tivesse uma postura igual a nossa, precisaríamos de um planeta não 70%, mas 80% maior que o atual.

Você, brasileirinho que sentiu que tem culpa no cartório, pode descobrir quantos planetas seriam necessários para o seu estilo de vida nesta calculadora aqui. Mas saiba que os outros países, no geral, não estão muito melhor que a gente. A única nação que de fato acompanha a dinâmica terrestre, segundo os dados levantados, é Honduras. Se representasse toda a humanidade, o país caribenho encerraria seu consumo em 31 de dezembro – bem depois do Brasil, que já esgotaria tudo em 26 de julho.

O pior é que a previsão brasileira nem é ruim, se comparada com o líder geral do consumo desenfreado. Sorte a nossa que Luxemburgo é um país bem pequeno da Europa, porque seu ritmo esgotaria as reservas naturais ainda no primeiro bimestre – em 17 de fevereiro.

Há, no entanto, uma pequena luz no fim do túnel. Segundo os pesquisadores, apesar da data vir mais cedo a cada ano, esse avanço tem diminuído. Antecipamos apenas um dia em relação ao Earth Overshoot Day de 2016, que foi 3 de agosto.

Para frear ainda mais esses avanços, as iniciativas ambientais defendem medidas como a redução do desperdício de alimentos e um menor consumo de carne – além de outras mais óbvias, como desmatar menos árvores e deixar de lado as fontes de energia não-renováveis. Com essa postura, é possível manter a meta de reduzir 4,5 dias a cada ano – e em 2050, ter 100% das demandas satisfeitas por um planeta exatamente do tamanho do nosso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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